Qual é o tratamento para o TDAH?

Qual é o tratamento para o TDAH?

Hoje, apesar de não haver cura para o TDAH, existe uma infinidade de abordagens terapêuticas que permitem que as pessoas com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade desenvolvam diferentes habilidades, vivam com qualidade, sejam socialmente inseridos e alcancem grandes objetivos.

O tratamento do TDAH é abrangente e individualizado. Cada criança, adolescente ou adulto com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade pode responder ao tratamento proposto de forma diferente e, por isso, é tão importante que haja acompanhamento médico, psicológico, educacional e familiar bastante próximo.

A abordagem mais utilizada para o tratamento do TDAH é a abordagem combinada (multimodal), que consiste no uso de medicamentos associado a recursos complementares para melhorar a resposta final do paciente.1 Isso pode incluir a utilização de intervenções psicoterápicas, fonoaudiológicas, psicopedagógicas, mudanças no estilo de vida, além do uso de recursos tecnológicos e ajustes no ambiente onde o paciente está inserido.

“O objetivo principal do tratamento do TDAH é que o paciente aprenda a lidar com seus sintomas, evitando ou limitando os prejuízos em sua vida. Para isso, a medicação é importante, assim como outros recursos que envolvem trabalho psicoeducativo com a família e a escola (no caso de crianças), o entendimento sobre o que é o TDAH e como deve ser feito o tratamento, além de mudanças na rotina, na estrutura e no ambiente em que vive o paciente.”
Dr. Gustavo Teixeira, médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência, professor visitante do Departamento de Educação Especial da Bridgewater State University (EUA) e editor-chefe do site www.comportamentoinfantil.com. – CRM RJ 5273634-1

Sobre os medicamentos


Existem diferentes opções de medicamentos para o tratamento do TDAH, sendo a maioria da classe dos estimulantes (que, apesar do nome, proporcionam um efeito calmante no paciente), e também alguns classificados como não-estimulantes. Os medicamentos para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade têm potencial para reduzir a hiperatividade e impulsividade, além de melhorar a capacidade dos pacientes de concentração, trabalho e aprendizado. A medicação também pode melhorar a coordenação física das pessoas com TDAH.2

Quando utilizados de acordo com a prescrição médica e as recomendações de bula, esses medicamentos são bastante seguros. Dentre os efeitos colaterais mais comuns dos medicamentos para TDAH, pode ocorrer a diminuição do apetite (que pode levar a perda de peso) e alguns problemas relacionados ao sono. Qualquer efeito colateral apresentado deve ser reportado ao médico para avaliação da continuidade do tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e um eventual ajuste de dose.3

ATENÇÂO ao uso de medicamentos para TDAH por pessoas saudáveis
Uma pesquisa recente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprovou que jovens saudáveis sem TDAH não têm atenção, memória ou as funções executivas beneficiadas com o uso de medicamentos para tratamento do TDAH. Por isso, além de ilegal, é também ineficaz o uso de medicamentos para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade por pessoas saudáveis sem a prescrição médica.4

Sobre a terapia


Existem diferentes tipos de terapia que podem ajudar as pessoas com TDAH a viver melhor, conforme o estágio de desenvolvimento em que estão. Juntos, os profissionais de saúde, pacientes com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e pais, precisam buscar e avaliar qual a melhor alternativa para cada pessoa. Entre as possibilidades, está a terapia comportamental, terapia cognitiva, terapia cognitivo-comportamental, treinamento de habilidades sociais, terapia psicoeducacional, abordagem psicopedagógica e terapia fonoaudiológica.

Esses recursos podem ajudar as crianças a buscarem uma mudança de comportamento, monitorar e controlar impulsos, lidar com eventos emocionalmente difíceis, etc. Em adolescentes e adultos com TDAH, a terapia pode ajudar em questões relacionadas à baixa autoestima, organização pessoal e profissional, gerenciamento de prioridades e também no controle da impulsividade, entre outras questões.5

Mudanças no estilo de vida

Há muitos estudos em andamento que buscam compreender melhor os benefícios da alimentação e da prática de atividades físicas como complementação no tratamento do TDAH. Já se sabe que a moderação no consumo de cafeína e açúcar, por exemplo, podem ajudar.6

Além disso, diversos estudos têm demonstrado que a prática de atividades físicas aeróbicas intensas (como nadar e correr) podem melhorar o funcionamento cognitivo e comportamental. Com isso, pessoas com TDAH que praticam exercícios físicos regulares podem ter a manifestação dos sintomas reduzida e melhorar o rendimento.7

A mudança no estilo de vida do paciente com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é geralmente uma forma de tratamento adjuvante, ou seja, associada aos demais recursos existentes, como medicamentos e intervenções psicossociais.

Tecnologia

Uma série de programas, aplicativos e recursos podem ajudar as pessoas com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, em diferentes fases da vida, a gerenciar melhor seus sintomas. O uso da tecnologia pode contribuir com automonitoramento do tratamento do TDAH, para que o paciente possa controlar se já tomou o remédio, quando deve praticar exercícios físicos e visitar especialistas de saúde, por exemplo.

Além disso, os recursos tecnológicos podem ajudar os pacientes com TDAH a controlar outras áreas do dia a dia, como as tarefas da escola ou do trabalho. Mas é preciso que os pacientes pesquisem os recursos disponíveis e avaliem, individualmente, o que funciona para cada um.

Recursos que podem diminuir a intensidade dos sintomas do TDAH

A intensidade da manifestação dos sintomas do TDAH também pode ser influenciada por quatro diferentes fatores: estruturação do ambiente; nível de motivação; saliência da tarefa; e estágio de desenvolvimento. Por isso, resultados positivos podem ser observados a partir de mudanças propostas nesses fatores.8

1. Estruturação do ambiente: seja em casa, na escola ou em outro local, quanto mais estruturadas as regras do ambiente e quanto mais próximo o monitoramento externo (por país ou professores, por exemplo), menor a chance da manifestação dos sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

2. Nível de motivação: quanto mais motivado o paciente estiver para a realização de determinada tarefa ou atividade proposta, maior deverá ser seu nível de atenção na execução.

3. Saliência da tarefa: isto é, quanto mais divertida, ousada ou prazerosa a atividade, maior deve ser a atenção do paciente com TDAH. Além disso, atividades que geram recompensas rápidas (seja um elogio ou algo material) também costumam receber mais atenção e, desde que usadas com moderação, podem ajudar a reforçar um bom comportamento.

4. Estágio de desenvolvimento: cada paciente pode manifestar os sintomas do TDAH de forma diferente conforme sua idade e grau de desenvolvimento, bem como de acordo com suas habilidades e capacidades cognitivas. É importante entender o estágio do paciente e fazer propostas coerentes.


Referências
1. Site da Associação Brasileira de Déficit de Atenção e Hiperatividade (ABDA). Disponível em http://www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/tratamento.html. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
2. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd/index.shtml#part_145449. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
3. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd/index.shtml#part_145449. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
4. Site Psiquiatria Unifesp. Disponível em http://www.psiquiatria.unifesp.br/sobre/noticias/exibir/?id=186. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
5. Site DDA Déficit de Atenção. Disponível em http://www.dda-deficitdeatencao.com.br/artigos/tdah-alimentacao.html. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
6. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/publications/attention-deficit-hyperactivity-disorder/index.shtml#pub7. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
7. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3724411/. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
8. Polanczyk GV, Rohde LA. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. In: Forlenza OV, Miguel EC (Ed). Compêndio de Clínica Psiquiátrica. Barueri, SP: Manole, 2012, pp. 220-239.

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