Sintomas do TDAH

Sintomas do TDAH

Os sintomas do TDAH se dividem em três grandes grupos:1
 

  • desatenção;
  • hiperatividade;
  • impulsividade.

Em geral, cada paciente manifesta principalmente um sintoma do TDAH, mas a predominância pode mudar durante as fases da vida. Ou seja, uma criança com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, predominantemente desatenta pode, em outro momento da vida, apresentar traço impulsivo ou hiperativo, e assim por diante.1

“A tríade sintomatológica do TDAH é composta por: déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade. Mas não há uma necessidade de que os sintomas se manifestam em conjunto – ou seja, pode haver predomínio desatenção, de hiperatividade ou, no maior grupo, um tipo de TDAH combinado, quando a criança apresenta tanto hiperatividade, quanto impulsividade e desatenção. Além de ser mais frequente, esse grupo de pacientes é também o que apresenta mais prejuízos.”
Dr. Gustavo Teixeira, médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência, professor visitante do Departamento de Educação Especial da Bridgewater State University (EUA) e editor-chefe do site www.comportamentoinfantil.com. –CRM RJ 5273634-1

Conforme descrito com mais detalhamento na seção Diagnóstico, a manifestação pontual ou isolada de alguns dos sintomas do TDAH não significa de forma alguma que a criança, adolescente ou adulto tem o transtorno. Por isso, é preciso ter bastante cautela antes de diagnosticar ou rotular alguém, a partir da observação das atitudes dessa pessoa em um único ambiente (apenas na escola, ou apenas em casa, por exemplo). Para que um sintoma seja atribuído ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, é necessário que ele se apresente em combinação com outras manifestações, seja crônico e que traga prejuízos para o paciente em ao menos três ambientes de sua vida, entre outras características.

Na infância…

Na idade pré-escolar e escolar alguns dos sintomas do TDAH característicos são:
 

  • excesso de agitação e impulsividade: criança que geralmente perturba o ambiente escolar e tem seus relacionamento afetados. Está associado ao maior risco de acidentes (tombos, queimaduras, etc.) e é difícil de ser controlado no grupo. É uma criança considerada “problemática” e acaba sendo isolada do grupo – não recebe convites para festas de aniversários ou para dormir na casa de colegas.
  • desatenção: crianças com dificuldade de completar as tarefas propostas, desorganizada e distraída. Têm prejuízo no desempenho escolar.

“Nas crianças em idade pré-escolar, os sintomas mais comuns do TDAH são a dificuldade de prestar atenção e os erros ocasionados por descuido – quando passa uma mosquinha a criança já devia e perde a atenção. Ainda nessa idade a inquietude pode ser manifestar, o que impacta os relacionamentos da criança e aumenta sua agressividade.”
Dr. Gustavo Teixeira, médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência, professor visitante do Departamento de Educação Especial da Bridgewater State University (EUA) e editor-chefe do site www.comportamentoinfantil.com. – CRM RJ 5273634-1

Na adolescência…

Na adolescência, em geral, há redução da hiperatividade motora, ou seja, o adolescente com TDAH têm menos agitação e necessidade de movimentação do que quando criança. Entretanto, alguns sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade permanecem, como a dificuldade de organização e planejamento; a dificuldade de manter a atenção na leitura; e a dificuldade de controlar os impulsos. Outro grave prejuízo nesta fase da vida pode ser em relação à autoestima, que fica bastante abalada.

Por conta da impulsividade excessiva, não é raro que adolescentes com TDAH (que não estão sendo adequadamente tratados) se envolvam em situações potencialmente perigosas. Isto inclui desde brigas, direção perigosa e esportes de risco, até o aumento da possibilidade do consumo e abuso de álcool e outras drogas.2

“Vários estudos mostram que crianças com TDAH não tratadas tornam-se adolescentes com mais prejuízos: é como se você tivesse diabetes e não tratasse a doença: com o passar dos anos, os sintomas se agravam. Com o TDAH não é diferente. O adolescente com TDAH sem tratamento tem histórico de reprovação escolar, mudanças sucessivas de escolas, aumento na chance de quadro depressivo, transtorno de ansiedade e também o risco de envolvimento com drogas – resultante da impulsividade e até mesmo como uma tentativa independente de se livrar dos sintomas do TDAH. Por isso, dizemos que a medicação para o tratamento do TDAH exerce um fator de proteção em relação ao uso de drogas na adolescência, no caso de pessoas com TDAH.”
Dr. Gustavo Teixeira, médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência, professor visitante do Departamento de Educação Especial da Bridgewater State University (EUA) e editor-chefe do site www.comportamentoinfantil.com. – CRM RJ 5273634-1

Na vida adulta…

De acordo com o Instituto para Pesquisas Cerebrais, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), cerca de 50% das crianças carregam os sintomas do TDAH para a vida adulta.3

Quando não tratado de forma adequada, algumas das manifestações do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade nesta fase são:
 

  • procrastinação;
  • aproveitamento insatisfatório do tempo;
  • desorganização com compromissos;
  • dificuldade na execução de tarefas;
  • sensação de inquietude;
  • dificuldade de priorização;
  • impulsividade, tanto no trabalho quanto das relações interpessoais;
  • prejuízo na autoestima;
  • brigas constantes com superiores no trabalho;
  • alta frequência na mudança de empregos;
  • acidentes de carro;
  • gestação não planejada;
  • abuso/dependência de drogas.

Adultos com TDAH podem naturalmente aprender a controlar seus sintomas ou compensá-los de diferentes formas, como programando um tempo maior para executar determinadas tarefas, utilizando agendas para se lembrar dos compromissos, etc.

“Nos adultos, menos anos de estudos e a dificuldade de relacionamento resultam em uma vida turbulenta, piores empregos, piores remunerações, agravamento na dificuldade de relacionamento com colegas de trabalho, socialmente e na vida afetiva.”
Dr. Gustavo Teixeira, médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência, professor visitante do Departamento de Educação Especial da Bridgewater State University (EUA) e editor-chefe do site www.comportamentoinfantil.com. – CRM RJ 5273634-1

Confira as principais manifestações do TDAH em cada etapa do desenvolvimento.4

principais manifestações TDAH
Fonte: este quadro é uma adaptação de Polanczyk e Rohde, 2012.

ATENÇÂO: a manifestação pontual e/ou isolada de algum sintoma de TDAH descrito no quadro acima não significa de forma alguma que a criança, adolescente ou adulto tenha o transtorno. Saiba mais na seção Diagnóstico deste site.

comorbidades TDAH

Comorbidades

Raramente o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade se manifesta de forma isolada nos pacientes. Há um grande número de doenças que se relacionam ao TDAH – as chamadas comorbidades.

Entre as mais comuns, estão:
 

  • transtornos de tiques, incluindo Tourette, estão presentes em até 50% dos casos);5
  • transtornos por uso de drogas ocorrem de 9 a 40% dos casos;5
  • transtorno afetivo bipolar;6
  • transtornos de ansiedade;7
  • depressão;6,7
  • transtornos de aprendizagem,7 como dislexia;9
  • transtorno de conduta;6,7
  • transtorno de oposição desafiante.6,7

Referências
1. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. DSM-V – 5ª Ed. 2014.
2. Site WebMD. Disponível em http://www.webmd.com/add-adhd/adhd-and-substance-abuse-is-there-a-link. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
3. Site do McGovern Institute for Brain Research, dot MIT. Disponível em
http://mcgovern.mit.edu/news/news/inside-the-adult-adhd-brain/. Último acesso em 29 de agosto de 2015.
4. Kieling R, Rohde LA. ADHD in children and adults: diagnosis and prognosis. Curr Top Behav Neurosci. 2012;9:1-16
5. Horner BR, Scheibe KE. Prevalence and implications of attention-deficit hyperactivity disorder among adolescents in treatment for substance abuse. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 1997 Jan;36(1):30-6.
6. Biederman J, Faraone S, Milberger S, Guite J et al. A prospective 4-year follow-up study of attention-deficit hyperactivity and related disorders. Arch Gen Psychiatry. 1996 May;53(5):437-46.
7. Biederman J, Newcorn J, Sprich S. Comorbidity of attention deficit hyperactivity disorder with conduct, depressive, anxiety, and other disorders. Am J Psychiatry. 1991 May;148(5):564-77.
8. American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (AACAP). Practice parameters for the assessment and treatment of children, adolescents and adults with attention  Deficit/hyperactivity disorder. J Am Acad Adolesc Psychiatry 1997;36 (10 Suppl):85S-121S
9. Willcut EG, Pennington BF, Boada R, Ogline JS, Tunick RA, Chabildas NA et al. A comparison of the cognitive deficits in reading disability and attention-deficit/hyperactivity disorder. J Abnorm Psychol, 110(1):157-72, 2001.

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